quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Traços adultos associados a fixações - Freud

Baseado na sua prática clínica, Freud construiu uma teoria de desenvolvimento pessoal que destacou a componente erótica e afectiva. As diversas fases ou estádios do desenvolvimento determinam-se conforme as zonas ou orgãos de satisfação das pulsões. Em termos psicológicos, o desenvolvimento pode deter-se num estádio intermédio, produzindo-se uma fixação. A fixação em determinado estádio singifica que um indivíduo tentará, em maior ou menor grau, obter prazer de uma forma simbolicamente equivalente ao modo de gratificação próprio do estádio em que se fixou. A fixação ocorre porque houve uma fraca satisfação dos impulsos num dado estádio (trata-se inconscientemente de compensar esse défice) ou porque houve gratificação excessiva (inconscientemente não há motivação para ultrapassar tal estádio)

Estádio Oral
Por fixação no estádio oral entenda-se ficar psicologicamente preso a formas de obtenção de prazer que se centram na boca, nos lábios e na língua.
Se uma pessoa enquanto bebé foi desmamada ou demasiado cedo ou muito tarde, desenvolverá uma fixação no estádio oral e posteriormente na vida sentirá a necessidade de actividades que consistem, simbólica e realmente, em obter gratificação oral: fumar, beber, comer muito, roer as unhas, consumir frequentemente pastilhas elásticas ou doces.
Uma pesssoa marcada profundamente pelo fase oral do seu desenvolvimento - período de grande dependência em relação a quem cuida de nós e em que prevalece a incoporação de objectos (alimentos, chuchas) - poderá apresentar ainda, quando adulta, características como credulidade, humor sarcástico, «má língua», grande capacidade de argumentação ou obstinação na defesa das suas ideias, disposição para triturar as ideias dos outros e, por outro lado, passividade  ou dependência.

Estádio Anal
Se a educação do asseio, isto é, se a regulação dos implusos biológicos da criança é demasiado exigente e severa, esta pode reagir aos métodos repressivos retendo as fezes. Se este modo de reagir for, simbolicamente, generalizado a outros comportamentos, a criança desenvolverá, segundo Freud, um carácter anal-retentivo. Em termos psicológicos, esta fixação pode dar origem a um indivíduo caracterizado pela teimosia, mania da pontualidade, avareza, egoísmo, e pela obsessão com a ordem e a limpeza.
Mas a criança pode reagir às execessivas exigências de higiene e limpeza de uma outra forma: em vez de reter as fezes e de infligir sofrimento a si própria, revolta-se contra a dureza e repressão do treino, expelindo-as nos momentos menos apropriados. Freud fala, neste caso, por generalização simbólica, de carácter expulsivo anal - prótotipo de todos os traços expulsivos da personalidade: crueldade, assombros de fúria, irritabilidade, sadismo, tendências violentas e destrutivas e também desorganização.


Estádio Fálico
As fixações que se desenvolvem durante o estádio fálico podem originar personalidades que, de facto, continuarão a debater-se com crises ou conflitos edipianos. Os homens procurarão, de forma obsessiva, mostrar que não foram «castrados», seduzindo tantas mulheres quantas possível, sendo pais de muitos filhos ou, como afirmação simbólica de masculinidade, alcançando grande sucesso na carreira profissional. Mas também podem falhar na sua vida sexual e profissional em virtude de sentimentos de culpa recalcados por terem competido com o pai pelo amor da mãe. Podem também procurar em cada mulher com que se relacionam uma imagem da mãe, o que, como se sabe, pode perturbar significativamente o futuro da relação.
No caso das mulheres, a continuação dos conflitos de tipo exprime-se numa forma particular de relação com os homens: um estilo particularmente sedutor, mas o qual subjaz a negação de qualquer contacto sexual (sedução - retraimento). Este tipo de comportamento tem como modelo a atracção original pelo pai (houve atracção e repressão ou recalcamento do desejo). Este padrão comportamental é transferido para interacções afectivas posteriores. É o comportamento típico a mulher que atrai os homens e os seduz, mas depois fica supreendida por estes pretenderem relações sexuais com ela. Uma fixação extrema na figura paterna e persistência do ódio pela mãe pode, segundo alguns psicanalistas, estar na origem de casos de anorexia. Adorando o pai e detestando a mãe,a jovem adolescente pode insconscientemente querer ser como o pai e rejeitar a morfologia femenina que apresenta (como se sabe, a extrema magreza das anorécticas em geral traduz-se na perda de formas femininas e num copor mais próximo do masculino do que do feminino). O homem ideal é também desejado à imagem do pai complicando as relações afectivas.
No estádio de latência não há qualquer fixação e no estádio genital não há fixações específicas.

Fonte: Psicologia, Luis Rogrigues, Plátano Editora [Modificado]

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