quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

O Segundo nascimento da filosofia grega


Se o primeiro nascimento da filosofia é mais ou menos disperso, como dispersas eram as colónias gregas onde surgiu (Mileto, Éfeso, Eleia, Crotona etc), o segundo e decisivo nascimento desencadeia-se todo ele na metrópole, quando Atenas passa a centralizar as rotas comerciais do editerrâneo e atrai à cidade a classe próspera dos comerciantes, de mentalidade aberta e pragmática, desejosa de traduzir o seu protagonismo económico numa ascensão e num protagonismo sociopolítico.
Sob a figura de Péricles, é instaurada a democracia ateniense, assente na igualdade dos cidadões perante a lei, com igualdade de direitos e deveres. É justamente a cidade, mais exactamente a sua organização política, a democracia, o cidadão, a lei, os princípios políticos, que se transformam em motivos de reflexão filosófica, numa sociedade aberta.
Neste segundo nascimento da filosofia há, assim, uma deslocação clara dos problemas cosmológicos para os problemas políticos e, por via destes, para os problemas antropológicos, éticos e educativos.Os protagonistas da filosofia da cidade, são, num primeiro momento os Sofistas- homens cultos, vindos também eles de fora, cuja a principal função é a de professores e formadores dos filhos das classes dirigentes. Contemporâneo dos sofistas, mas em oposição radical ao seu relativismo ético e ao carácter interesseiro do seu ensino (faziam-se pagar muito bem pelas «explicações» particulares que davam), é essa figura emblemática da filosofia que é Sócrates , injustamente condenado à morte por ser politicamente incómodo.
Fonte: Razão e Diálogo, J. Neves Vicentes, Porto Editora

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